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IndexInvest Brasil 2015

1. Síntese dos Resultados

 

 

Investimentos realizados

 

Em 2015, o Index Invest Brasil registrou 19 operações de investimento realizadas por empresas brasileiras em países da América do Sul e no México. Esse número representa uma diminuição considerável em relação ao ano anterior, quando foram 26 as operações de investimento, o que pode ser atribuído à profunda crise econômica vivida pelo país, e à desvalorização do real.

 

Apesar desta redução, a distribuição dos investimentos de empresas brasileiras por país de destino, em 2015, segue uma tendência iniciada em 2014: o aumento do interesse em países do eixo Pacífico. O México continua sendo o líder em investimentos recebidos, com cinco. Em seguida vem a Colômbia com quatro, Chile e Peru com dois cada um, e Equador com um. Em contrapartida, os países do Mercosul têm se mostrado menos atrativos para os investidores brasileiros. A Argentina e o Paraguai receberam dois investimentos cada um, enquanto o Uruguai recebeu apenas um. A Bolívia é o único país que foi alvo de investimentos brasileiros em 2014, mas não em 2015.

 

No que diz respeito à distribuição setorial dos investimentos, o setor industrial recebeu nove operações de investimento, com destaque para o subsetor de alimentos e bebidas, com quatro operações. No setor de serviços, também com nove operações, o destaque foi o comércio com quatro delas. Pelo quarto ano consecutivo, não houve investimentos em agropecuária.

 

 

Pela primeira vez desde 2011, a modalidade preferida pelos investidores brasileiros não foram as aquisições, mas sim o greenfield, presente em dez das dezenoves operações de investimento registradas no período. O destaque é o México, com quatro operações greenfield, dentre elas um investimento com valor estimado de US$ 730 milhões da Odebrecht, vencedora de uma concessão de água e esgoto para atender duas cidades, e a abertura de uma fábrica siderúrgica pela Gerdau, em um investimento com valor anunciado de US$ 600 milhões.

 

 

Investimentos anunciados

 

No caso dos investimentos anunciados, a queda, em 2015, em relação a 2014 foi ainda maior, de 31 para 11 projetos, representando a maior diminuição entre dois anos seguidos desde 2007. O recorde anterior se deu entre 2011 e 2012, quando houve uma redução de 12 anúncios de investimento.

 

Houve grande diversidade quanto aos países de destino, mas não em termos da quantidade de projetos por país. Estes não passaram de três, caso do Peru. Argentina e Bolívia tiveram dois investimentos anunciados cada, enquanto Chile, Colômbia, México e Uruguai ficaram com somente um.

 

Em relação à distribuição setorial de investimentos anunciados, houve uma participação bastante similar entre os setores industrial e de serviços, o primeiro com seis projetos e o segundo com cinco. Não houve nenhum anúncio de investimento no setor agropecuário.

 

Pela primeira vez desde o início do Index Invest em 2007, a modalidade dominante de investimentos anunciados foi a joint-venture, presente em mais da metade dos projetos totais. O destaque foi a Bolívia, que teve dois grandes projetos de investimento anunciados: a Petrobrás, por meio de um acordo com a YPFB, prevê US$ 2 bilhões em investimentos; a Votorantim, em parceria com duas empresas locais, planeja investir US$ 1,6 bilhão na construção de uma fábrica de cimento.

 

 

Síntese


Os movimentos de investimentos (realizados e anunciados) na América do Sul e no México em 2015 mostram uma diminuição da atividade brasileira na região. Enquanto em 2014 houve cinquenta e sete projetos totais de investimento, em 2015 foram trinta.

Essa diminuição se torna ainda mais acentuada ao analisarmos a diferença entre os trimestres. Somente no primeiro trimestre de 2015 foram onze os investimentos realizados, o que é mais do que o observado nos três trimestres seguintes juntos, quando foram oito as operações realizadas.

 

Outro aspecto interessante é a mudança gradual nos grupos de países que têm sido alvo principal de investimentos brasileiros. Historicamente, eram os membros do Mercosul  que recebiam maior atenção dos investidores nacionais, mas, nos últimos anos, essa posição passou para os países da Aliança do Pacífico: Peru, Chile, México e Colômbia. Os dois últimos são, pelo segundo ano seguido, primeiro e segundo na lista de países que mais recebem investimentos brasileiros, respectivamente. É de se destacar também a diminuição nas relações com a Argentina, que até 2011 sempre esteve no topo dessa lista.

 

No quarto trimestre de 2015, duas empresas brasileiras encerraram as atividades na região. As redes de restaurantes Frango Assado e Viena tiveram suas filiais no México vendidas pela International Meal Company (ICM), dona das duas empresas, em uma operação cujo montante líquido foi de R$ 175 milhões. A ICM informou, em nota, que os motivos para a venda foram “simplificar a sua estrutura, reforçar seu capital de giro e sua disponibilidade de caixa, bem como reduzir a sua alavancagem”.

 

 

Por fim, chama a atenção o baixo número de investimentos anunciados por empresas brasileiras na América do Sul e no México em 2015. Foram onze no total, porém dez desses ocorreram nos dois primeiros trimestres, deixando todo o segundo semestre com apenas um anúncio de investimentos. Esse dado, somado à falta de perspectiva de melhora na crise econômica vivida pelo país, pode indicar que em 2016 haverá um número ainda menor de investimentos brasileiros na região.