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IndexInvest Brasil 2014

1. Síntese dos Resultados


Investimentos realizados

 

Em 2014, o Index Invest Brasil registrou vinte e seis operações de investimento realizadas por empresas brasileiras em países da América do Sul e no México, um aumento substancial no número de projetos quando comparado aos três anos anteriores. Apesar do crescimento significativo em 2014, o número de investimentos realizados ainda não atingiu os patamares observados em 2007 e 2008, quando foram registradas 39 e 42 operações de investimentos, respectivamente.

 

A distribuição dos investimentos de empresas brasileiras por país de destino, em 2014, revela o crescente interesse de empresas brasileiras por países da Aliança do Pacífico: o México recebeu seis operações de investimentos, a Colômbia e Peru receberam cinco cada, seguidos pelo Chile com dois. Por outro lado, os países do Mercosul têm mostrado menor atratividade para os investimentos brasileiros. Ainda assim, a Argentina recebeu três operações de investimento e o Paraguai recebeu duas, acumulando três operações desde 2007 (uma em 2010 e duas em 2014). Vale ressaltar que o Uruguai, que em 2013 foi o país em destaque, tendo recebido quatro operações investimentos, no ano último recebeu apenas uma.

 

A Bolívia, país que havia sido o destino de apenas uma operação de investimento brasileiro desde 2007 (início do Index Invest), registrou dois investimentos realizados em 2014. Um deles refere-se à criação da empresa Yacuces - uma associação entre a Votorantim Cimentos e o grupo catalão Cementos Molins, que adquiriu o controle da boliviana Itacamba Cemento, com 66,7% das ações. Outro é resultado da realização de um investimento da Petrobrás relativo a uma licitação vencida pela empresa ao final de 2012.

 

No que diz respeito à distribuição setorial dos investimentos brasileiros, quatorze operações foram de empresas do setor industrial e doze do setor de serviços, de subsetores bastante diversificados. Pelo terceiro ano consecutivo, o setor agropecuário não foi alvo dos investimentos brasileiros na região.

 

As aquisições mais uma vez foram a modalidade preferida pelos investidores brasileiros, presentes na metade do total das operações. Entre estas, destaca-se a compra da totalidade das ações da chilena Synapsis pela empresa brasileira de serviços em tecnologia de informação Tivit, numa operação cujo valor anunciado foi de R$330 milhões. Colômbia e Peru foram os países em que ocorreu o maior número de aquisições por empresas brasileiras em 2014: quatro operações em cada país. Além disso, cada um dos dois países foi alvo de um investimento greenfield.

 

A Colômbia foi o país que recebeu investimentos com maior diversificação setorial em 2014 e será analisado com maior detalhe nesta edição do Index Invest, na seção 4. País em Foco: Colômbia.

 

 

Investimentos anunciados

 

O número de projetos de investimentos anunciados em 2014 atingiu um patamar ainda não observado desde o início do Index Invest em 2007. Foram anunciados 31 investimentos no ano passado. O recorde anterior havia sido registrado em 2009, quando foram anunciados 28 projetos de investimentos.

 

Houve também razoável diversificação em termos de países de destino dos investimentos anunciados por empresas brasileiras: dos doze países pesquisados, houve anúncios de investimentos em oito países, com destaque para o México, onde foram anunciados oito investimentos. Chile e Peru ficaram com cinco, cada um; Colômbia e Argentina com quatro, cada um; Paraguai com três; e Bolívia e Equador com um, cada um.

 

Em relação à distribuição setorial dos investimentos anunciados, também se observou uma participação bastante similar entre os setores industrial e de serviços, mas, ao contrário do registrado nos investimentos realizados, o setor de serviços foi alvo de um número maior de anúncios. O setor industrial recebeu 13 anúncios e o setor de serviços 17. Houve apenas um anúncio de investimento direcionado ao setor agropecuário.

 

É curioso notar que no caso dos investimentos anunciados em 2014, a modalidade greenfield foi dominante: 41% dos investimentos anunciados serão do tipo greenfield (13), nove aquisições, seis ampliações, e três joint-ventures.

 

Um dos destaques em 2014 foi o anúncio da Odebrecht, que formou um consórcio com a Enagás (Espanha) para construir e operar um gasoduto no Peru, numa operação que pode atingir até US$ 4 bilhões. Outro destaque foi o anúncio da aquisição pela JBS das operações da americana Tyson Foods no México, uma operação que pode custar US$ 400 milhões. Por fim, o Itaú anunciou fusão CorpBanca, e ainda prevê integração do Itaú BBA Colômbia às operações.

 

 

Síntese

 

Os movimentos de investimentos (realizados e anunciados) na América do Sul e no México em 2014 mostram um renovado interesse de empresas brasileiras na região.

 

México, Colômbia e Peru têm se destacado como destinos preferenciais dos investimentos brasileiros no período recente. Os esforços de melhoria do ambiente de negócios, associados ao bom desempenho macroeconômico (particularmente na Colômbia e Peru) e à estabilidade de regras têm atraído as empresas brasileiras.

 

Apesar das dificuldades macroeconômicas e políticas por que passa a Argentina, ainda há movimentos de investimentos de empresas brasileiras em direção áquele país - três investimentos realizados e quatro anunciados no ano passado. Ainda assim, o país passou para o quarto lugar no ranking dos países para os quais se destinam os investimentos brasileiros na região; uma queda importante tendo o vista o tamanho da economia argentina, a proximidade com o Brasil e os vínculos institucionalizados no Mercosul. Até 2011 a Argentina era o destino preferencial dos investimentos brasileiros na América do Sul.

 

Por outro lado, é digno de nota o crescente interesse de empresas brasileiras pelo Paraguai. Em 2014, o país recebeu o maior número de registros desde o início da série do Index Invest: três investimentos anunciados e dois realizados. As perspectivas de estabilização política e de melhoria no ambiente econômico vêm atraindo empresas brasileiras em busca de custos de produção mais baratos.

 

No terceiro trimestre de 2014 duas empresas brasileiras decidiram encerrar suas atividades na região, uma na Bolívia e a outra na Argentina. A Petrobras, dando continuidade à sua política de concentrar investimentos no desenvolvimento da produção de petróleo no pré-sal brasileiro, vendeu sua participação acionária de 44,5% na empresa Transierra S.A. para a estatal boliviana Yacimientos Petrolíferos Fiscales Bolivianos (YPFB). Já a Marfrig encerrou as atividades do seu frigorífico na Província de Córdoba, na Argentina. Dentre as razões apresentadas pelos proprietários estão as restrições comerciais às exportações e a falta de previsibilidade no negócio devido à instabilidade política e econômica sofrida pelo país recentemente.

 

Por fim, chama a atenção o expressivo número de investimentos anunciados por empresas brasileiras na América do Sul e no México em 2014. Esse movimento pode ser indicativo de que haverá um aumento expressivo de investimentos brasileiros realizados na região nos próximos trimestres, principalmente nos países da Aliança do Pacífico.